
Cultura Indígena
Os povos primitivos sabem como conversar com suas almas.
Carl G. Jung
Convido à todoas para visitarem "TERRA INDÍGENA EXPOSIÇÂO COLETIVA":
http://terrasindigenas.blogspot.com/
... URGENTE: JANEIRO 2010 - Repasso mensagem do Carlos Antônio Salgado e peço a todos que ajudem: CONFLITOS EM BRASÌLIA - FUNAI OCUPADA -- LUZPAZ a paz praticada por todos os povos, seus corações irmanados em tempo de respeito a vida na terra PAZLUZ ...
Em dezembro/2009 visitei a Aldeia Moikarakô Kaiapó, Pará. Por enquanto, Silêncio. Complexidades. Projetos em construção. 2010/11/12. ... ATENÇÃO!!! O QUE PODEMOS FAZER PARA AJUDAR O POVO KAYAPÓ E VÁRIAS OUTRAS NAÇÕES INDÍGENAS DA BACIA DO XINGU NA LUTA CONTRA MAIS UMA MEGA FERIDA NO CORAÇÃO DA AMAZÔNIA COM A CONSTRUÇÃO DA 3A. MAIOR USINA HIDROELÉTRICA, A UHE BELO MONTE? O STING ESTÁ TENTANDO AJUDAR E MERECE NOSSOS APLAUSOS E APOIO. http://www.sting.com/news/news.php?uid=6337 ... Na primeira visita dos Kayapós à Mitoludens para a realização da I Oficina de Pintura Corporal/2007, o indigenista Fernando Schiavini entrou em contato conosco perguntando como eram os instrutores. São excelentes! Os Kayapós foram então convidados para participarem do Encontro de Tradições na Chapada dos Veadeiros, Aldeia Multiétnica /2007-2008, próximo ao Vale da Lua. Neste ano de 2009 vieram mais integrantes da família, 77 Kayapós!!!
Para saber mais sobre o evento: http://www.encontrodeculturas.com.br/alemdanoticia.php?id=33 _ A Mitoludens sentiu-se honrada em celebrar o Dia Nacional dos Povos Indígenas, 19 de abril/2007, com a oficina de Pintura Corporal Kayapo com artistas da Aldeia Moikarakô (PA).
O Povo Kayapó é um povo muito querido e
de grande sensibilidade artística.
Em todos os sentidos.
São guerreiros também.
Grande força de caráter.
E não perdem a suavidade,
a leveza,
o bom humor
e a Arte!
A Mitoludens hospedou duas famílias Kayapó (7 integrantes) na Chácara Mico Estrela e eles ofereceram a oficina de Pintura Corporal durante todo o dia 19/04/07. Foi um dia pleno de vivência permitindo-nos uma re-conexão com nossa alma indígena. A Mitoludens proporcionou um ambiente tranquilo e inspirador junto ao cerrado rupestre. Nesta semana indígena recebemos a presença da nutricionista Soraya Vidya e do homeopata Walter Romero Menon. Nossos sinceros agradecimentos, de coração! Alegramo-nos também pelo convite que os Kayapó receberam pelo indigenista Fernando Schiavini para participarem do Festival de Culturas Tradicionais/2007 na Chapada dos Veadeiros.
...
PRECONCEITOS? Admitindo-os e Aprendendo:
O Correio Braziliense, no dia 06 de abril de 2009, publicou uma entrevista entitulada De Buffalo Bill a Touro Sentado com o Ministro Carlos Ayres Britto. Convido a todos para a leitura: "O óleo sobre tela retratando o rosto de um indígena foi presente de uma amiga, enviado de São Paulo há pouco tempo. O trabalho encanta o ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto, que colocou o quadro numa das paredes da sala de seu apartamento, na Asa Sul. Não é só a beleza da obra que o conquistou, mas a própria questão indígena. Ele foi o relator do polêmico processo sobre a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Nove dos demais 10 colegas de tribunal acompanharam seu voto, no qual defendeu a manutenção do decreto homologatório que destina a índios de cinco etnias uma área de mais de 1,7 milhão de hectares em Roraima.
De Buffalo Bill a Touro Sentado
-- Parabéns ao Correio! Para a Mitoludens é muito importante o entendimento da questão indígena no Brasil, pois representa o resgate de nossas autênticas raízes ancestrais, culturais, em profundo respeito à natureza. O Ministro Ayres Britto tem contribuido muito para isso. -- Nossa maior vitória em 2008 na área indígena foi a votação de 8 x 0 (!!!) a favor da manutenção da Terra Indigena Raposa Serra do Sol em área contínua. Esta votação, liderada pelo queridíssimo excelente Excelentíssimo Ministro Carlos Ayres Britto do STF, representou uma vitória para todas as nações indígenas e também para o planeta, pois basta acessarmos o google para sabermos que onde há áreas verdes no planeta são as áreas protegidas pelos valiosos povos indígenas. A votação desfavorável pela área contínua poderia representar uma limpeza etnica, pois começaríamos a exterminação em Roraima que se extenderia por todo o país. Há muito tempo que não me sentia tão orgulhosa de ser brasileira. Sinceros aplausos e afetuoso abraço. Toda a natureza agradece. Vejam o voto de Ayres Brito, na íntegra.
PARABÉNS!!!!!!! Os mitos salvaram o Monte Roraima! Viva Macunaíma e Mário de Andrade! Também Potiguara! Obrigada Ministra Cármem Lúcia! Sim, preservar a diferença e a diversidade cultural. O Ministro Ricardo Lewandowski leu Roberto Gambini! E até Eros votou, parabéns Ministro Eros Grau: isso mesmo!: "invasores de bem público não tem direito nenhum e disputa econômica em terras indígenas é insensatez". Nossos aplausos! O Brasil resgata sua dignidade. Viva nossos mitos!! Recebam também, Ministros Carlos Alberto Menezes Direito, Joaquim Barbosa, Cezar Peluso e Ellen Gracie, os nossos agradecimentos. E muito especialmente, ao Ministro Ayres Britto e a todos que colaboraram para esta vitória. __
Fernando Schiavini Agora, vejam com atenção a sacação abaixo: Disse o General Heleno Augusto Pereira, Comandante Militar da Amazônia, entre outras "pérolas", que tem dado tanta repercussão no noticiário: "A atual política indigenista não condiz com o processo histórico de colonização deste país". Essa frase dá uma tese! Ela nos remete, como que tele-transportados, ao dia 15 de dezembro de 1548, quando foi editado o "Regimento de Tomé de Souza", a primeira lei da chamada "política indigenista brasileira". Dizia, em resumo, o Regimento: "Paz com os índios para que os cristãos possam colonizar o território. Guerra aos inimigos". Existe ainda outra informação histórica, ensinada nos livros escolares, que vamos registrar aqui para ilustrar a nossa tese: "Até 1531, quando foi realizada a expedição de Martim Afonso de Souza, que instituiu o sistema de sesmarias, predominavam o escambo e o tráfico de madeira e animais silvestres". Fundamentos da minha tese: 1) O processo histórico de colonização deste país sempre foi de usurpação dos territórios que já pertenciam aos povos indígenas; 2) Nada, ou pouquíssima coisa mudou, de 1.500 até hoje. Aos fatos: Os portugueses chegaram nesta terra financiados pela coroa e por comerciantes, com o objetivo declarado de explorar, colonizar e dominar. Para isso não mediram esforços militares, religiosos e econômicos. Resumidamente, o período colonial transcorreu com os padres tentando "amansar" e "reduzir" os povos indígenas através da catequese e declarando as "guerras justas" aos que não queriam cair nesse verdadeiro conto do vigário. Enquanto isso, os "colonizadores" avançavam para o interior, massacrando, escravizando e implantando fazendas de cana-de-açucar e gado. No período imperial, o que ficou marcado foi a edição da Lei de terras de 1850, que tirou o pouco de terras que havia sobrado às populações indígenas, deixando-as na miséria e mendicância. Na república, três grandes ciclos de avanço colonizador aconteceram: a "marcha para o oeste", instituída por Getúlio Vargas a partir da década de trinta, o processo de ocupação da Amazônia iniciado pelos governos militares nas décadas de sessenta e setenta e agora o tal do PAC - o Plano de Aceleração do Crescimento, deste governo. Estudos preliminares prevêem que cerca de 22% das terras indígenas serão impactadas pelo PAC, quase todas localizadas na Amazônia, onde, aliás, estão cerca de 99% das terras indígenas. Ou seja, no restante do país o tal do " processo histórico de colonização" do qual falou o general, deixou apenas 1% das terras que pertencem aos povos indígenas. São terras tão minúsculas, que mal dá pra localizar no mapa do país. Os arrozeiros que estão lá em Roraima brigando com os Macuxis, Wapixanas e Igaricós, que suscitaram simpatia do general, saíram do sul. São descendentes diretos de italianos, alemães, poloneses e outras nacionalidades, denominados genericamente de "gaúchos". Vejam onde chegaram esses "bravos" neo-bandeirantes: lá nos confins da Amazônia, na fronteira do Brasil com a Venezuela! Financiados por quem? Vou fechar a tese. Acompanhem o raciocínio, que o espaço é curto: 1) O processo de "colonização", que os povos indígenas chamam de "invasão", ainda não acabou; 2) Ele continua sendo incentivado e financiado pela "coroa", ou seja, pelo governo; 3) Os "índios" continuam sendo considerados empecilhos à "colonização". 4) Se eles não querem aceitar por bem, o governo precisa dar uma lição neles. Esses são os fatos atuais e a mentalidade que ainda prevalece nas elites militares, políticas e econômicas do Brasil. Agora, a cacetada final, pra entendermos verdadeira condição histórica do país: Não conseguimos superar ao menos o primeiro período histórico, caracterizado pelo escambo e o tráfico de madeiras e animais silvestres. Basta ver o noticiário cotidiano para comprovar isso. Só que agora ele é acrescido pelo tráfico de plantas medicamentosas, micro-organismos e outros materiais genéticos, acompanhados do conhecimento tradicional dos povos indígenas e dos outros habitantes da Amazônia. Dizem que até nióbio e outros minerais nobres são traficados da Amazônia para outros países. Porquê os militares não vão se ocupar dessas coisas, ao invés de ficarem atazanando a vida dos povos indígenas que, aliás, sempre protegeram muito melhor do que eles as fronteiras deste país? Terminando. O general disse outra frase interessante: "A Funai hoje, é um verdadeiro caos". Essa aí, até que ele passou perto de acertar. Mas isso é outra história. Ou outra tese, se quiserem. Um dia a gente fala sobre isso. Mais: www.todaserrazul.com ...
LEMBRANDO: SOU ÍNDIO
“Vi muitas pessoas se postarem diante de mim, um índio, e ficarem a olhar-me. Além de me lançarem uma série de perguntas, entre elas, se não existe mais índio “brabo”.
Penso comigo: o que estarão eles pensando? Esforço-me para penetrar em seus pensamentos. Afinal, um descendente de índios selvagens, descendente de seres mitológicos, índios, está postado diante deles, de calças, camisa e sapatos. Nesse momento, a imaginação desse povo simples voa pelo mundo da fantasia.
Como será que vive? O que come? Será descendente de comedores de gente? Terá ele provado alguma carne humana? Tem ele algum sentimento humano de amor e compaixão?
Enfim, percebo que as interpretações e comparações que nos fazem não passam da categoria de animais exóticos que habitam a selva. Tenho vontade de fazê-los compreender meu mundo, assim como cheguei a compreender o mundo deles.
Gostaria de dizer-lhes que faço parte de uma sociedade que possui normas de vivência harmônica entre os homens e a natureza. Gostaria de dizer-lhes que possuímos nossos valores sociais, políticos, econômicos, culturais e religiosos, que adquirimos através dos tempos, de geração em geração.
Gostaria de dizer-lhes que formamos um mundo equilibrado e justo de relações humanas. Dizer que, como humanos, estamos sujeitos a falhas, erros. Dizer que nossos sentimentos mais íntimos são exteriorizados por meio da arte, da língua, da nossa religião, das festas acompanhadas de ritos e cerimônias.
Dizer que conseguimos nossa experiência diante da vida e do universo. Dizer que conseguimos chegar a um equilibrado mundo prenhe de valores que transmitimos a nossos filhos, o que, em outras palavras mais compreensíveis, é sinônimo de educação.
Gostaria de dizer-lhes também que tudo isso vem sendo deturpado, desrespeitado e destruído. Dizer que estamos despertando para uma nova realidade. Estamos percebendo que todas as tentativas estão sendo feitas para acabar com nossos princípios constituídos.
Dizer que um dos nossos objetivos fundamentais é levar às nossas comunidades o conhecimento dessa realidade nova que nos rodeia. Do interesse em perpetuar nossos valores morais e culturais.
Dizer que estamos prontos para receber o que de útil a sociedade deles nos oferece e rechaçar o que de ruim elas nos apresenta. Mas a cegueira etnocêntrica não permite esse diálogo franco e sincero.”
DANIEL MATENHO CABIXI, índio PARESI/MT
(in: MUNDURUKU, Daniel, O Banquete dos Deuses. SP: Angra, 1999)
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Carta de Amor 1854:
“O Grande Chefe de Washigton manda dizer que deseja comprar nossas terras. O Grande Chefe também nos envia palavras de amizade e boa vontade. Apreciamos esta gentileza, porque sabemos que pouca falta a nossa amizade vos faz. Consideraremos vossa oferta, pois sabemos que, se não o fizermos, o homem branco poderá vir com as suas armas de fogo e tomar nossas terras. O grande Chefe em Washington poderá confiar no que e Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos poderão confiar na volta das estações. As minhas palavras são imutáveis como as estrelas”.
Como poderíeis comprar ou vender o céu, o calor da terra? Esta idéia parece-nos estranha. Não somos donos da frescura do ar nem do cintilar da água. Como poderíeis comprá-los de nós? Decidi-lo-emos oportunamente. Sabereis que cada partícula desta terra é sagrada para meu povo. Cada folha resplandecente, cada praia arenosa, cada neblina no escuro bosque, cada clarão e cada inseto com o seu zumbido são sagrados na memória e na experiência de meu povo. A seiva que circula nas árvores porta as memórias do homem de pele vermelha. Os mortos do homem branco esquecem sua terra natal quando vão caminhar por entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta formosa terra, porque ela é a mãe do homem de pele vermelha. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As perfumadas flores são nossas irmãs; o veado, o cavalo, a águia majestosa são nossos irmãos. Os picos rochosos das montanhas, as seivas das pradarias, o calor corporal do potro novo e o do homem, todos pertencem à mesma família. Por isso, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que nos reserva um lugar no qual possamos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Por isso consideraremos sua oferta de comprar nossas terras. Mas isso não será fácil porque estas terras são sagradas para nós. A água cintilante que corre em nossos rios e nascentes não é meramente água, senão o sangue de nossos antepassados. Se vos vendermos estas terras tereis que recordar que elas são sagradas e devereis ensinar a vossos filhos que elas o são e que cada reflexo fantasmal nas águas claras dos lagos fala de acontecimentos e recordações da vida de meu povo. O murmúrio da água é a voz do pai de meu pai. Os rios são nossos irmãos, eles aplacam nossa sede. Os rios levam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Se vos vendermos nossas terras devereis recordar e ensinar vossos filhos que os rios são nossos irmãos e irmãos vossos; devereis a partir de então dispensar aos rios o trato bondoso que daríeis a qualquer irmão. Sabemos que o homem branco não compreende nossa maneira de ser. Para ele, cada pedaço de terra tem o mesmo valor que qualquer outro, porque ele é um estranho que chega à noite para roubar aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, senão sua inimiga. Uma vez tendo-as conquistado, abandona-a e segue seu caminho. Deixa atrás de si as sepulturas de seus pais sem se importar. Esquece a sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos. Trata sua mãe, a terra, seu irmão e o céu como se fossem coisas que pudessem ser compradas, saqueadas ou vendidas, como se fossem cordeiros e contas de vidro. Seu insaciável apetite devorará a terra e deixará atrás de si apenas um deserto. Não nos compreendo. Nossa maneira de ser é diferente da vossa. A visão de vossas cidades faz does os olhos do homem de pele vermelha. Mas quiçá seja assim porque o homem de pele vermelha é um selvagem e não compreende as coisas. Não há nenhum lugar tranqüilo nas cidades do homem branco, nenhum lugar onde se possa ouvir as folhas na primavera ou o bater das asas dum inseto. Mas quiçá seja assim porque sou um selvagem e não posso compreender as coisas. O barulho da cidade parece insultar os ouvidos. E que espécie de vida se tem quando o homem não é capaz de escutar o solitário grito da garça ou a discussão noturna das rãs ao redor da lagoa? Sou um homem de pele vermelha e não compreendo. Nós os índios preferimos o suave som do vento que acaricia a face do lago e o odor desse mesmo vento, purificado pela chuva do meio-dia ou perfumado pela fragrância dos pinheiros. O ar é algo precioso para o homem de pele vermelha porque todas as coisas compartilham o mesmo alento: o animal, a árvore, o homem. O homem branco parece não sentir o ar que respira. A semelhança de um homem há muitos dias agonizante, tornou-se insensível ao fedor. Mas se vos vendermos nossas terras, devereis recordar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda vida que sustenta. E, se vos vendermos nossas terras, devereis mantê-las sagradas como um lugar cujo vento adoçado pelas flores da pradaria até mesmo o homem branco poderá chegar a saborear. Consideraremos vossa oferta de comprar nossas terras. Se decidirmos aceitá-la, porei uma condição: que o homem branco deverá tratar os animais destas terras como irmãos. Sou um selvagem e não compreendo outro modo de conduta. Tenho visto milhares de búfalos apodrecendo sobre as pradarias, abandonados ali pelo homem branco que neles atirou ao passar de trem. Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de vapor poder mais importante que o búfalo, que apenas matamos para poder viver. O que é o homem sem animais? Se todos os animais houvessem desaparecido, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo o que ocorre aos animais logo haverá de ocorrer também ao homem. Todas as coisas estão relacionadas entre si. Vós devereis ensinar vossos filhos que o chão sob seus pés é a cinza dos seus avós. Para que respeitem a terra, devereis dizer a vossos filhos que a terra está plena da vida de nossos antepassados. Devereis ensinar a vossos filhos o que nós temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo o que afeta a terra afeta os filhos da terra. Quando os homens cospem no chão, cospem em si mesmos. Isso nós sabemos: a terra não pertence ao homem, senão que o homem pertence à terra. O homem não teceu a rede da vida: é apenas um fio dela. Tudo o que ele fizer à rede fará a si mesmo. O que acontece à terra acontecerá aos filhos da terra. Sabemos disso. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Nem mesmo o homem branco, cujo Deus passeia com ele e conversa com ele de amigo a amigo, pode estar isento do destino comum. Quiçá sejamos irmãos, depois de tudo. Veremos. Sabemos algo que talvez descubrais algum dia: que nosso Deus e o vosso são o mesmo. Agora pensais quiçá que sois donos d’Ele tal como desejais ser donos de nossa terra: mas não podereis sê-lo. Ele é o Deus da humanidade e Sua compaixão pelo homem de pele vermelha é igual à que Ele tem pelo homem branco. Esta terra é preciosa para Ele, e causar-lhe dano significa mostrar desprezo pelo seu criador. Os homens brancos também passarão, talvez antes que as demais tribos. Se contaminais vossa cama, morrereis alguma noite sufocados por vossos próprios desperdícios. Mas ao menos em vossa hora final nos sentirei iluminados pela idéia de que Deus vos trouxe a estas terras e vos deu o domínio sobre elas e sobre o homem de pele vermelha com algum propósito especial. Tal destino é um mistério para nós, porque não compreendemos o que será quando os búfalos tenham sido exterminados, quando os cavalos selvagens tenham sido domados, quando os recônditos cantos dos bosques exalarem o odor de muitos homens e quando a vista das verdes colinas estiver impedida por um enxame de arames que falam. Onde está a águia? Desapareceu. Assim termina a vida e começa o sobreviver…” (in: Campbell, Joseph. O Poder do Mito. Ed. Pallas Athena)
... INVOCAÇÃO SIOUX:
Ó Grande Espírito,
Tua voz eu escuto no soprar dos ventos.
Tua vida eu sinto palpitar no universo imenso.
Escute-me!
A Ti eu venho como um de Teus filhos.
Sou pequeno e fraco.
Confio na Tua força e
Na Tua sabedoria.
Peço-Te que me transformes em beleza
E que meus olhos não cessem de contemplar
O rastro vermelho do pôr-do-sol.
Que minhas mãos tratem com dignidade
tudo o que criaste
E que meus ouvidos
estejam atentos à Tua voz.
Dá-me sabedoria,
para que eu possa compreender
tudo o que ensinaste ao meu povo
E a verdade que escondeste nas folhas
E nas cavidades das pedras.
Com gratidão,
Mãos puras e olhar sincero,
possa minha vida se apagar
Na Tua presença
Como o sol se põe!
A Mitoludens foi batizada pelo povo Bakairi e Luciana Aires Mesquita foi até Mato Grosso para visitá-los durante a Festa do Milho, uma celebração com música, dança e teatro!
MEUS SINCEROS AGRADECIMENTOS AO POVO BAKAIRI-MT!!!!
GARDÊNIA QUERIDA. Marcides e todos.
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