Photo: Luciana Mesquita | Kayapo - Mitoludens |


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Cultura Indígena

 

 
Os povos primitivos sabem como conversar com suas almas.
Carl G. Jung

 

 

Convido à todoas para visitarem "TERRA INDÍGENA EXPOSIÇÂO COLETIVA":

http://terrasindigenas.blogspot.com/

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URGENTE: JANEIRO 2010 - Repasso mensagem do Carlos Antônio Salgado e peço a todos que ajudem:

CONFLITOS EM BRASÌLIA - FUNAI OCUPADA
amigos indigenistas, amigos de coração . . . NAMASTE!
 
Observação importante; antes de ler o informativo abaixo leia este pedido com atenção.
 
Quem se dispuser a ajudar procure o movimento indigena na FRENTE DA FUNAI de tudo é necessário nesta hora, alimentos (frutas, verduras, água, feijão, arroz, farinha), e tudo mais colchonetes, cobertas, de tudo.

 
O movimento indígena no Brasil está posicionado contrário a edição do DECRETO que Reformula a FUNAI 
Há três dias indígenas vindos de todo o Brasil se encontram na frente do órgão, sendo que a cada dia mais gente chega de todos os cantos. Nestes momentos é preciso ajudar, se solidarizar, dar a mão.
A situação é tensa e uma solução continua sendo protelada para depois.
Nossos irmãos indígenas sendo levados a conflitos há muito esquecidos em um passado imemorial, diferente hoje insulflados por interesses mesquinhos e vaidosos de nossa sociedade.
 
Caminhos têm que ser percorridos e eles estão percorrendo, são autonomos, determinados e existem enquanto unidade, existem enquanto diferença e diversidade social, enquanto cultura, não as que temos,  mas a deles. Sentimentos que não conhecemos, conexões que nem imaginavamos . . . existem, o belo a arte a vida re-significada, e no atendimento ao sagrado e ontologia da vida.
 
Hoje, fazem quatro dias que o movimento indígena ocupa a  SEDE CENTRAL da FUNAI em Brasília.
Dá pra enxergar uma situação clara de conflitos interétnicos, de nossa sociedade, para com a nossa sociedade, de nossa sociedade com a várias sociedades indígenas, e da várias sociedades, POVOS INDÍGENAS entre eles. 
 
A situação é de fragilidade extrema, levando a ocorrência de fatos extremos aparentemente engendrados, ou decorrentes das ultimas ações do indigenismo oficial, que de forma incauta e antiética indo contra os princípios mais básicos indigenistas, induzindo e estabelecendo uma situação real de conflito indígena.
 
Fato para mim lamentável é ter visto e sentido de perto este conflito e ver sangue indígena mais uma vez sendo derramado. Desta feita, nas calçadas do Órgão Indigenista Nacional. Parece-me, pelo menos hoje, uma mancha irremovível, uma mancha no meu coração, na história do Brasil, que teremos que carregar mais uma vez o que outros incautos colonizadores fizeram.
 
As pessoas que lá estão, indígenas, hoje e talvez amanhã e depois, aumentando o número dia a dia, estarão, com certeza, precisando de nosso apoio em todos os sentidos.
 
Peço desta forma em nome da solidariedade entre os POVOS que nos chegue LUZ para que possamos auxiliar adequadamente nossos irmãos em PAZ.
 
 Agradecido,

--
Carlos Antônio

LUZPAZ  a paz praticada por todos os povos, seus corações irmanados em tempo de respeito a vida na terra  PAZLUZ

 ...

Em dezembro/2009

visitei a Aldeia Moikarakô

Kaiapó,

Pará.

Por enquanto,

Silêncio. 

Complexidades.

Projetos em construção.

2010/11/12.

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ATENÇÃO!!! O QUE PODEMOS FAZER PARA AJUDAR O POVO KAYAPÓ E VÁRIAS OUTRAS NAÇÕES INDÍGENAS DA BACIA DO XINGU NA LUTA CONTRA MAIS UMA MEGA FERIDA NO CORAÇÃO DA AMAZÔNIA COM A CONSTRUÇÃO DA 3A. MAIOR USINA HIDROELÉTRICA, A UHE BELO MONTE? O STING ESTÁ TENTANDO AJUDAR E MERECE NOSSOS APLAUSOS E APOIO.

 http://www.sting.com/news/news.php?uid=6337

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Na primeira visita dos Kayapós à Mitoludens para a realização da I Oficina de Pintura Corporal/2007, o indigenista Fernando Schiavini entrou em contato conosco perguntando como eram os instrutores. São excelentes! Os Kayapós foram então convidados para participarem do Encontro de Tradições na Chapada dos Veadeiros, Aldeia Multiétnica /2007-2008, próximo ao Vale da Lua. Neste ano de 2009 vieram mais integrantes da família, 77 Kayapós!!!

 

 

Para saber mais sobre o evento:

http://www.encontrodeculturas.com.br/alemdanoticia.php?id=33

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A Mitoludens sentiu-se honrada em celebrar o Dia Nacional dos Povos Indígenas, 19 de abril/2007, com a oficina de Pintura Corporal Kayapo com artistas da Aldeia Moikarakô (PA).




  

 O Povo Kayapó é um povo muito querido e 
de grande sensibilidade artística.
Em todos os sentidos.
São guerreiros também.
Grande força de caráter.
E não perdem a suavidade,
a leveza,
o bom humor
e a Arte!

 

A Mitoludens hospedou duas famílias Kayapó (7 integrantes) na Chácara Mico Estrela e eles ofereceram a oficina de Pintura Corporal durante todo o dia 19/04/07. Foi um dia pleno de vivência permitindo-nos uma re-conexão com nossa alma indígena. A Mitoludens proporcionou um ambiente tranquilo e inspirador junto ao cerrado rupestre. Nesta semana indígena recebemos a presença da nutricionista Soraya Vidya e do homeopata Walter Romero Menon. Nossos sinceros agradecimentos, de coração! Alegramo-nos também pelo convite que os Kayapó  receberam pelo indigenista Fernando Schiavini para participarem do Festival de Culturas Tradicionais/2007 na Chapada dos Veadeiros.
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PRECONCEITOS? Admitindo-os e Aprendendo:

O Correio Braziliense, no dia 06 de abril de 2009, publicou uma entrevista entitulada De Buffalo Bill a Touro Sentado com o Ministro Carlos Ayres Britto. Convido a todos para a leitura:

"O óleo sobre tela retratando o rosto de um indígena foi presente de uma amiga, enviado de São Paulo há pouco tempo. O trabalho encanta o ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto, que colocou o quadro numa das paredes da sala de seu apartamento, na Asa Sul. Não é só a beleza da obra que o conquistou, mas a própria questão indígena. Ele foi o relator do polêmico processo sobre a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Nove dos demais 10 colegas de tribunal acompanharam seu voto, no qual defendeu a manutenção do decreto homologatório que destina a índios de cinco etnias uma área de mais de 1,7 milhão de hectares em Roraima.

Em entrevista ao Correio, Ayres Britto confessa que, antes de se debruçar sobre os mais de 50 volumes do processo, tinha opinião completamente diferente da proferida em seu voto. "Comecei me pegando preconceituoso. A gente pensa que não tem preconceito, mas tem. Está lá no fundo da gente." Para ele, até então, o índio era um ser primitivo, de cultura inferior. Mas num minucioso trabalho que compara a uma garimpagem, o ministro foi transformando suas ideias. "Fui explorando os veios da Constituição. Palavra por palavra." Literalmente, estudou cada termo do capítulo sobre os indígenas. Nenhuma preposição escapou. Entendeu que estava pensando com cabeça de branco e indo no sentido oposto do que prega a lei.

Ao fim, descobriu-se um admirador dos índios. "Estou feliz da vida com meu voto. O Supremo colocou o Brasil no lugar que lhe cabe constitucionalmente: na vanguarda mundial da questão indígena", admite. Defendeu com veemência seu relatório quando o ministro Marco Aurélio Mello, único voto vencido no processo, mostrou-se contrário à demarcação em área contínua. De acordo com Ayres Britto, para o índio, a terra não é um bem mensurável, que pode ser trocada por uma indenização. "Para eles, a terra é um ser. Tirá-los de perto dela é uma violência."

Com um livro de poemas escrito por índio nas mãos, o ministro-poeta diz que seu interesse pela questão indígena foi despertado. E faz uma comparação: começou como o atirador do Velho Oeste Buffalo Bill, e terminou como Touro Sentado, o célebre líder sioux norte-americano, que morreu lutando por seu povo.

De Buffalo Bill a Touro Sentado

O julgamento sobre a demarcação da Raposa Serra do Sol foi bastante polêmico. O senhor já tinha um posicionamento antes de ser relator?
Não, vou contar a pura verdade. Quando eu comecei com meu voto, a minha cabeça era "de branco". Então, já fui dizendo aquilo mesmo: "Como é que se reserva tanta terra para índio?"; ou então: "Os índios fazem parte de uma cultura primitiva e os não índios de uma cultura evoluída". Comecei assim, me pegando preconceituoso. Às vezes a gente pensa que não tem preconceito, mas tem. Está lá no fundo da gente. A minha cultura me impunha esse condicionamento, de ver os índios como seres inferiores, à espera de tutela, como se fossem incapazes. Mas à medida que eu ia lendo a Constituição, palavra por palavra, termo por termo, expressão por expressão, eu, que tinha a obrigação de ser um militante da Constituição, fui percebendo que o capítulo versante sobre os índios foi feito por antropólogos e indigenistas de grande conhecimento. A Constituição é um sonoro não a essa cultura do branco. O que ela diz é que há duas civilizações. A do branco e a do índio. Há duas dignidades.

No seu voto, o senhor falou que os índios têm o direito de nos catequizar. O senhor foi catequizado por eles?
Sim, exatamente isso. A aculturação é uma estrada de mão dupla. Não é só o índio nos conhecer para aprender conosco. É a gente conviver com os índios para aprender com eles. Para a Constituição, a aculturação é uma soma, um ganho, uma justaposição. O índio aculturado ganha a cultura do branco sem perder sua cultura. O branco que convive com os índios aprende com eles. Eu fui aprendendo aos pouquinhos. Refletindo, estudando, indo atrás das coisas. Eu comecei Buffalo Bill e terminei Touro Sentado. Foi assim que o meu voto começou e terminou. Terminou por um modo diametralmente oposto de como começou. Para os índios, a terra não é um bem. Para eles, a terra não é uma coisa, é um ser, é um espírito protetor. A Constituição diz: "Os índios não podem ser removidos de suas terras, a não ser diante de uma grave calamidade". Na cabeça do índio é o seguinte: "Não adianta me pagar pela terra". Ele não quer ser indenizado nem reassentado. No imaginário do índio, ele pensa: "Eu vou sair daqui, mas meus ancestrais vão ficar". Então é uma violência para eles.

Com a aprovação da condicionante do ministro Menezes Direito, que impede a revisão de demarcações já feitas, como ficam os outros processos já impetrados no STF?
Na realidade, as 19 cláusulas foram uma inovação de forma, e não conteudística. Já estavam no meu voto e na Constituição. O Menezes Direito me disse várias vezes: "Britto, estudei, estudei, estudei, e nossos votos são rigorosamente convergentes. Em tudo. Apenas, eu vou inovar na técnica". E eu aplaudi. Ele é um ministro muito culto, muito preparado. E ele foi muito elegante quando sugeri a ele uma nova redação àquelas cláusulas. Ele acatou com uma elegância, tudo ele acatou. No conteúdo, nossos votos convergiram. Mas essa número 17 foi novidade. Ele disse o seguinte: que demarcação indígena, uma vez feita, está ungida e sacramentada, e nunca mais pode ser revista judicialmente. Eu discordei, mas fui voto vencido. Tentei ainda estabelecer um limite temporal. Demarcação feita depois da Constituição não se mexe, mas as de antes? É preciso se mexer, para assegurar aos índios a reprodução física e cultural. Mas fui voto vencido.

E o que ocorre com outros processos que já estão no Supremo, como o dos Pataxó Hã-hã-hãe?
Aí é que está. Ao levar ao pé da letra essa decisão, essa cláusula, não se reabre a discussão. Tenho esperança ainda de reverter. A Raposa Serra do Sol exaltou muitos ânimos, mas numa outra oportunidade acho que os ministros que apoiaram Menezes podem rediscutir isso, diante de um caso concreto de vistosa contração territorial em desfavor dos índios. 

 

--

Parabéns ao Correio! Para a Mitoludens é muito importante o entendimento da questão indígena no Brasil, pois representa o resgate de nossas autênticas raízes ancestrais, culturais, em profundo respeito à natureza. O Ministro Ayres Britto tem contribuido muito para isso.

-- 

Nossa maior vitória em 2008 na área indígena foi a votação de 8 x 0 (!!!) a favor da manutenção da Terra Indigena Raposa Serra do Sol em área contínua. Esta votação, liderada pelo queridíssimo excelente Excelentíssimo Ministro Carlos Ayres Britto do STF, representou uma vitória para todas as nações indígenas e também para o planeta, pois basta acessarmos o google para sabermos que onde há áreas verdes no planeta são as áreas protegidas pelos valiosos povos indígenas. A votação desfavorável pela área contínua poderia representar uma limpeza etnica, pois começaríamos a exterminação em Roraima que se extenderia por todo o país. Há muito tempo que não me sentia tão orgulhosa de ser brasileira. Sinceros aplausos e afetuoso abraço. Toda a natureza agradece.
 

Vejam o voto de Ayres Brito, na íntegra.

 


 
"132. Enfim, tudo medido e contado, tudo visto e
revisto − sobretudo quanto a cada um dos dezoito
dispositivos constitucionais sobre a questão indígena −,
voto pela improcedência da ação popular sob julgamento.
O que faço para assentar a condição indígena da área
demarcada como Raposa/Serra do Sol, em sua totalidade.
Pelo que fica revogada a liminar concedida na Ação
Cautelar no 2009, devendo-se retirar das terras em causa
todos os indivíduos não-índios.
É como voto.
Brasília, 27 de agosto de 2008"

 

PARABÉNS!!!!!!! Os mitos salvaram o Monte Roraima! Viva Macunaíma e Mário de Andrade! Também Potiguara!

Obrigada Ministra Cármem Lúcia! Sim, preservar a diferença e a diversidade cultural.

O Ministro Ricardo Lewandowski leu Roberto Gambini!

E até Eros votou, parabéns Ministro Eros Grau: isso mesmo!: "invasores de bem público não tem direito nenhum e disputa econômica em terras indígenas é insensatez". Nossos aplausos!

 O Brasil resgata sua dignidade.  Viva nossos mitos!!

Recebam também, Ministros Carlos Alberto Menezes Direito, Joaquim Barbosa, Cezar Peluso e Ellen Gracie, os nossos agradecimentos. E muito especialmente, ao Ministro Ayres Britto e a todos que colaboraram para esta vitória.

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DIÁRIO DE CAMPO
AH, GENERAL!

Fernando Schiavini

 Agora, vejam com atenção a sacação abaixo:

Disse o General Heleno Augusto Pereira, Comandante Militar da Amazônia, entre outras "pérolas", que tem dado tanta repercussão no noticiário:  "A atual política indigenista não condiz com o processo histórico de colonização deste país".  

Essa frase dá uma tese! 

Ela nos remete, como que tele-transportados, ao dia 15 de dezembro de 1548, quando foi editado o "Regimento de Tomé de Souza", a primeira lei da chamada "política indigenista brasileira". Dizia, em resumo, o Regimento: "Paz com os índios para que os cristãos possam colonizar o território. Guerra aos inimigos". 

Existe ainda outra informação histórica, ensinada nos livros escolares, que vamos registrar aqui para ilustrar a nossa tese:  "Até 1531, quando foi realizada a expedição de Martim Afonso de Souza, que instituiu o sistema de sesmarias, predominavam o escambo e o tráfico de madeira e animais silvestres". 

Fundamentos da minha tese:

 1) O processo histórico de colonização deste país sempre foi de usurpação dos territórios que já pertenciam aos povos indígenas;

2) Nada, ou pouquíssima coisa  mudou, de 1.500 até hoje.

 Aos fatos:  Os portugueses chegaram nesta terra financiados pela coroa e por comerciantes, com o objetivo declarado de explorar, colonizar e dominar.  Para isso não mediram esforços militares, religiosos e econômicos. Resumidamente,  o período colonial transcorreu com os padres tentando "amansar" e "reduzir" os povos indígenas através da catequese e declarando as "guerras justas" aos que não queriam cair nesse verdadeiro conto do vigário. Enquanto isso, os "colonizadores"  avançavam para o interior, massacrando, escravizando e implantando fazendas de cana-de-açucar e gado. 

No período imperial, o que ficou marcado foi a edição da Lei de terras de 1850, que tirou o pouco de terras que havia sobrado às populações indígenas, deixando-as na miséria e mendicância.  

Na república, três grandes ciclos de avanço colonizador aconteceram: a "marcha para o oeste", instituída por Getúlio Vargas a partir da década de trinta,  o processo de ocupação da Amazônia iniciado pelos governos militares nas décadas de sessenta e setenta e agora o tal do PAC - o Plano de Aceleração do Crescimento, deste governo. 

Estudos preliminares prevêem que cerca de 22% das terras indígenas serão impactadas pelo PAC, quase todas localizadas na Amazônia, onde, aliás, estão cerca de 99% das terras indígenas.  Ou seja, no restante do país o tal do " processo histórico de colonização" do qual falou o general,  deixou apenas 1%  das terras que pertencem aos povos indígenas. São terras tão minúsculas, que mal dá pra localizar no mapa do país.  

Os arrozeiros que estão lá em Roraima brigando com os Macuxis, Wapixanas e Igaricós, que suscitaram simpatia do general, saíram do sul. São descendentes diretos de italianos, alemães, poloneses e outras nacionalidades, denominados genericamente de "gaúchos".  Vejam onde chegaram esses "bravos" neo-bandeirantes: lá nos confins da Amazônia, na fronteira do Brasil com a Venezuela!

Financiados por quem?  

Vou fechar a tese. Acompanhem o raciocínio, que o espaço é curto:  1) O processo de "colonização", que os povos indígenas chamam de "invasão",  ainda não acabou;  2) Ele continua sendo incentivado e financiado pela "coroa", ou seja, pelo governo; 3) Os "índios" continuam sendo considerados empecilhos à "colonização". 4) Se eles não querem aceitar por bem, o governo  precisa dar uma lição neles.  

Esses são os fatos atuais e a mentalidade que ainda prevalece nas elites militares, políticas e econômicas do Brasil.  

Agora, a cacetada final, pra entendermos verdadeira condição histórica do país: 

Não conseguimos superar ao menos o primeiro período histórico, caracterizado pelo escambo e o tráfico de madeiras e animais silvestres. Basta ver o noticiário cotidiano para comprovar isso. Só que agora ele é acrescido pelo tráfico de plantas medicamentosas, micro-organismos e outros materiais genéticos, acompanhados do conhecimento tradicional dos povos indígenas e dos outros habitantes da Amazônia. Dizem que até nióbio e outros minerais nobres são traficados da Amazônia para outros países. 

Porquê  os militares não vão se ocupar dessas coisas, ao invés de ficarem atazanando a vida dos povos indígenas que, aliás, sempre protegeram muito melhor do que eles as fronteiras deste país?   

Terminando. O general disse outra frase interessante:  "A Funai hoje, é um verdadeiro caos".  Essa aí,  até que ele passou perto de acertar. 

Mas isso é outra história. Ou outra tese, se quiserem. 

Um dia a gente fala sobre isso.

Mais: www.todaserrazul.com

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LEMBRANDO:

SOU ÍNDIO
 
“Vi muitas pessoas se postarem diante de mim, um índio, e ficarem a olhar-me. Além de me lançarem uma série de perguntas, entre elas, se não existe mais índio “brabo”.
Penso comigo: o que estarão eles pensando? Esforço-me para penetrar em seus pensamentos. Afinal, um descendente de índios selvagens, descendente de seres mitológicos, índios, está postado diante deles, de calças, camisa e sapatos. Nesse momento, a imaginação desse povo simples voa pelo mundo da fantasia.
Como será que vive? O que come? Será descendente de comedores de gente? Terá ele provado alguma carne humana? Tem ele algum sentimento humano de amor e compaixão?
Enfim, percebo que as interpretações e comparações que nos fazem não passam da categoria de animais exóticos que habitam a selva. Tenho vontade de fazê-los compreender meu mundo, assim como cheguei a compreender o mundo deles.
Gostaria de dizer-lhes que faço parte de uma sociedade que possui normas de vivência harmônica entre os homens e a natureza. Gostaria de dizer-lhes que possuímos nossos valores sociais, políticos, econômicos, culturais e religiosos, que adquirimos através dos tempos, de geração em geração.
Gostaria de dizer-lhes que formamos um mundo equilibrado e justo de relações humanas. Dizer que, como humanos, estamos sujeitos a falhas, erros. Dizer que nossos sentimentos mais íntimos são exteriorizados por meio da arte, da língua, da nossa religião, das festas acompanhadas de ritos e cerimônias.
Dizer que conseguimos nossa experiência diante da vida e do universo. Dizer que conseguimos chegar a um equilibrado mundo prenhe de valores que transmitimos a nossos filhos, o que, em outras palavras mais compreensíveis, é sinônimo de educação.
Gostaria de dizer-lhes também que tudo isso vem sendo deturpado, desrespeitado e destruído. Dizer que estamos despertando para uma nova realidade. Estamos percebendo que todas as tentativas estão sendo feitas para acabar com nossos princípios constituídos.
Dizer que um dos nossos objetivos fundamentais é levar às nossas comunidades o conhecimento dessa realidade nova que nos rodeia. Do interesse em perpetuar nossos valores morais e culturais.
Dizer que estamos prontos para receber o que de útil a sociedade deles nos oferece e rechaçar o que de ruim elas nos apresenta. Mas a cegueira etnocêntrica não permite esse diálogo franco e sincero.”
 
DANIEL MATENHO CABIXI, índio PARESI/MT
(in: MUNDURUKU, Daniel, O Banquete dos Deuses. SP: Angra, 1999)
 
 

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Carta  de Amor 1854:
“O Grande Chefe de Washigton manda dizer que deseja comprar nossas terras. O Grande Chefe também nos envia palavras de amizade e boa vontade. Apreciamos esta gentileza, porque sabemos que pouca falta a nossa amizade vos faz. Consideraremos vossa oferta, pois sabemos que, se não o fizermos, o homem branco poderá vir com as suas armas de fogo e tomar nossas terras. O grande Chefe em Washington poderá confiar no que e Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos poderão confiar na volta das estações. As minhas palavras são imutáveis como as estrelas”.
            Como poderíeis comprar ou vender o céu, o calor da terra? Esta idéia parece-nos estranha. Não somos donos da frescura do ar nem do cintilar da água. Como poderíeis comprá-los de nós? Decidi-lo-emos oportunamente. Sabereis que cada partícula desta terra é sagrada para meu povo. Cada folha resplandecente, cada praia arenosa, cada neblina no escuro bosque, cada clarão e cada inseto com o seu zumbido são sagrados na memória e na experiência de meu povo. A seiva que circula nas árvores porta as memórias do homem de pele vermelha.
            Os mortos do homem branco esquecem sua terra natal quando vão caminhar por entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta formosa terra, porque ela é a mãe do homem de pele vermelha. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As perfumadas flores são nossas irmãs; o veado, o cavalo, a águia majestosa são nossos irmãos. Os picos rochosos das montanhas, as seivas das pradarias, o calor corporal do potro novo e o do homem, todos pertencem à mesma família. Por isso, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que nos reserva um lugar no qual possamos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Por isso consideraremos sua oferta de comprar nossas terras. Mas isso não será fácil porque estas terras são sagradas para nós. A água cintilante que corre em nossos rios e nascentes não é meramente água, senão o sangue de nossos antepassados. Se vos vendermos estas terras tereis que recordar que elas são sagradas e devereis ensinar a vossos filhos que elas o são e que cada reflexo fantasmal nas águas claras dos lagos fala de acontecimentos e recordações da vida de meu povo. O murmúrio da água é a voz do pai de meu pai.
            Os rios são nossos irmãos, eles aplacam nossa sede. Os rios levam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Se vos vendermos nossas terras devereis recordar e ensinar vossos filhos que os rios são nossos irmãos e irmãos vossos; devereis a partir de então dispensar aos rios o trato bondoso que daríeis a qualquer irmão.
            Sabemos que o homem branco não compreende nossa maneira de ser. Para ele, cada pedaço de terra tem o mesmo valor que qualquer outro, porque ele é um estranho que chega à noite para roubar aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, senão sua inimiga. Uma vez tendo-as conquistado, abandona-a e segue seu caminho. Deixa  atrás de si as sepulturas de seus pais sem se importar. Esquece a sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos. Trata sua mãe, a terra, seu irmão e o céu como se fossem coisas que pudessem ser compradas, saqueadas ou vendidas, como se fossem cordeiros e contas de vidro. Seu insaciável apetite devorará a terra e deixará atrás de si apenas um deserto.
            Não nos compreendo. Nossa maneira de ser é diferente da vossa. A visão de vossas cidades faz does os olhos do homem de pele vermelha. Mas quiçá seja assim porque o homem de pele vermelha é um selvagem e não compreende as coisas. Não há nenhum lugar tranqüilo nas cidades do homem branco, nenhum lugar onde se possa ouvir as folhas na primavera ou o bater das asas dum inseto. Mas quiçá seja assim porque sou um selvagem e não posso compreender as coisas. O barulho da cidade parece insultar os ouvidos. E que espécie de vida se tem quando o homem não é capaz de escutar o solitário grito da garça ou a discussão noturna das rãs ao redor da lagoa? Sou um homem de pele vermelha e não compreendo. Nós os índios preferimos o suave som do vento que acaricia a face do lago e o odor desse mesmo vento, purificado pela chuva do meio-dia ou perfumado pela fragrância dos pinheiros.
            O ar é algo precioso para o homem de pele vermelha porque todas as coisas compartilham o mesmo alento: o animal, a árvore, o homem. O homem branco parece não sentir o ar que respira. A semelhança de um homem há muitos dias agonizante, tornou-se insensível ao fedor. Mas se vos vendermos nossas terras, devereis recordar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda vida que sustenta. E, se vos vendermos nossas terras, devereis mantê-las sagradas como um lugar cujo vento adoçado pelas flores da pradaria até mesmo o homem branco poderá chegar a saborear.
            Consideraremos vossa oferta de comprar nossas terras. Se decidirmos aceitá-la, porei uma condição: que o homem branco deverá  tratar os animais destas terras como irmãos. Sou um selvagem e não compreendo outro modo de conduta. Tenho visto milhares de búfalos apodrecendo sobre as pradarias, abandonados ali pelo homem branco que neles atirou ao passar de trem. Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de vapor poder mais importante que o búfalo, que apenas matamos para poder viver. O que é o homem sem animais? Se todos os animais houvessem desaparecido, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Porque tudo o que ocorre aos animais logo haverá de ocorrer também ao homem. Todas as coisas estão relacionadas entre si.
            Vós devereis ensinar vossos filhos que o chão sob seus pés é a cinza dos seus avós. Para que respeitem a terra, devereis dizer a vossos filhos que a terra está plena da vida de nossos antepassados. Devereis ensinar a vossos filhos o que nós temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo o que afeta a terra afeta os filhos da terra. Quando os homens cospem no chão, cospem em si mesmos.
            Isso nós sabemos: a terra não pertence ao homem, senão que o homem pertence à terra. O homem não teceu a rede da vida: é apenas um fio dela. Tudo o que ele fizer à rede fará a si mesmo. O que acontece à terra acontecerá aos filhos da terra. Sabemos disso. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família.
            Nem mesmo o homem branco, cujo Deus passeia com ele e conversa com ele de amigo a amigo, pode estar isento do destino comum. Quiçá sejamos irmãos, depois de tudo. Veremos. Sabemos algo que talvez descubrais algum dia: que nosso Deus e o vosso são o mesmo. Agora pensais quiçá que sois donos d’Ele tal como desejais ser donos de nossa terra: mas não podereis sê-lo. Ele é o Deus da humanidade e Sua compaixão pelo homem de pele vermelha é igual à que Ele tem pelo homem branco. Esta terra é preciosa para Ele, e causar-lhe dano significa mostrar desprezo pelo seu criador. Os homens brancos também passarão, talvez antes que as demais tribos. Se contaminais vossa cama, morrereis alguma noite sufocados por vossos próprios desperdícios. Mas ao menos em vossa hora final nos sentirei iluminados pela idéia de que Deus vos trouxe a estas terras e vos deu o domínio sobre elas e sobre o homem de pele vermelha com algum propósito especial. Tal destino é um mistério para nós, porque não compreendemos o que será quando os búfalos tenham sido exterminados, quando os cavalos selvagens tenham sido domados, quando os recônditos cantos dos bosques exalarem o odor de muitos homens e quando a vista das verdes colinas estiver impedida por um enxame de arames que falam. Onde está a águia? Desapareceu. Assim termina a vida e começa o sobreviver…”

 (in: Campbell, Joseph. O Poder do Mito. Ed. Pallas Athena)

  


 

...

INVOCAÇÃO SIOUX:
Ó Grande Espírito,
Tua voz eu escuto no soprar dos ventos.
Tua vida eu sinto palpitar no universo imenso.
Escute-me!
 A Ti eu venho como um de Teus filhos.
Sou pequeno e fraco.
Confio na Tua força e
Na Tua sabedoria.
Peço-Te que me transformes em beleza
E que meus olhos não cessem de contemplar
O rastro vermelho do pôr-do-sol.
Que minhas mãos tratem com dignidade
tudo o que criaste
E que meus ouvidos
estejam atentos à Tua voz.
Dá-me sabedoria,
para que eu possa compreender
tudo o que ensinaste ao meu povo
E a verdade que escondeste nas folhas
E nas cavidades das pedras.
Com gratidão,
Mãos puras e olhar sincero,
possa minha vida se apagar
Na Tua presença
Como o sol se põe!
  
  
  
A Mitoludens foi batizada pelo povo Bakairi e Luciana Aires Mesquita foi até Mato Grosso para visitá-los durante a Festa do Milho, uma celebração com música, dança e teatro!
MEUS SINCEROS AGRADECIMENTOS AO POVO BAKAIRI-MT!!!!
GARDÊNIA QUERIDA. Marcides e todos.